"Meu marido é personal", entrega Carla Marins, que exibe sua boa forma na TV aos 43 anos

FÁBIA OLIVEIRA

Do UOL, no Rio

Quando Carla Marins recebeu um telefonema da produção de "Morde & Assopra" avisando que teria um papel para ela, sua primeira reação foi levar um susto. Depois, a atriz, de 43 anos, resolveu fechar a boca e se cuidar mais porque não sabia direito como seria o perfil de Amanda, a pedra no sapato de Naomi (Flávia Alessandra). Para isso, ela contou com uma ajuda muito especial do marido, o professor de educação física Hugo Baltazar. Juntos há quatro anos e meio, o rapaz, de 31 anos, organizou uma série específica para a mulher. "Meu marido é personal e isso me ajudou bastante. Malho de segunda a sábado, uma hora por dia. Segunda, quarta e sexta eu faço exercícios aeróbicos, como corrida, escada ou 'transport'. Terça, quinta e sábado eu faço musculação, explica.

A rotina de exercícios aliada a uma dieta equilibrada, sem doces ou refrigerantes, fez com que Carla sentisse um certo alívio ao chegar ao Projac para ver o figurino que Amanda usaria na trama de Walcyr Carrasco. "Quando olhei as roupas, percebi que tinha feito a coisa certa porque ela é meio piriguete e usa muita calça justa", diverte-se Carla, que é mãe de Leon, de 2 anos e 9 meses. Em breve, Amanda vai se envolver com Ícaro (Mateus Solano). Mas Carla jura que o marido, apesar de não ser artista, não vai ter uma crise de ciúme por conta disso. "Ele é muito tranquilo. Até porque, eu poderia ter ciúme também já que ele vê muita mulher bonita na academia... Mas a gente já passou dessa fase. Não perco meu tempo com isso", analisa.

O mesmo Carla não pode dizer do filho, Leon. Ele ainda não completou 3 anos, mas já teve sua primeira crise de ciúme. Aconteceu quando os dois foram assistir a uma peça infantil, recentemente. Por causa do sucesso de Amanda, a atriz foi cercada pela garotada na saída do espetáculo. "Leon teve uma reação engraçada. Não queria que eu tirasse fotos com as crianças. Pedia para elas se afastarem que a mãe era dele", lembra.

Leon ainda não assiste a mãe na TV. Disciplinada, Carla afirma que o filho tem hora para tudo. "Ele toma banho às 7h30 da noite. Às 8h eu o coloco na cama. Se estiver cansadinho, às 8h30 já está dormindo. Se não, às 9h eu saio do quarto e ele pega no sono. Assistia a todos os episódios da 'Supernanny' quando estava grávida", revela.

Uma vez, ela deixou o filho assistir um pedaço de "Uma Rosa com Amor", novela em que vive a protagonista Serafina Rosa e está sendo reprisada à tarde, no SBT. "A gente estava em São Paulo e quando ele me viu no vídeo, falou: 'mamãe'. Quando apareceu o Claudio Lins, que é meu par na trama, ele disse: 'papai'. Mudou a cena e ele deixou escapar: 'ué, sumiu!'. Com isso, eu percebi que ainda não está na hora de ele assistir novelas", justifica.

Falar sobre maternidade deixa Carla Marins com um certo brilho no olhar. "Fui mãe aos 40 e engravidei naturalmente. No início, por causa da idade, tinha um pouco de receio. Fiz um exame complicado, chamado amniocentese, em que uma agulha é enfiada na mãe para recolher o líquido amniótico. Por esse líquido se vê se os cromossomos estão direitinhos ou não. E se essa agulha pegar no bebê pode matar o feto. Mas eu quis correr o risco e saber porque, se fosse pra ter um filho com síndrome de Down, queria estar preparada para isso. No final, deu tudo muito certo", rememora.

Interpretar Amanda fez a atriz pensar sobre alguns valores de sua personagem. Ou sobre a falta deles. "Para mim, a maior vilania dela é justamente na relação com o Rafael [Henry Fiuka]. O filho é paralítico, tem leucemia e ela passa por cima disso um pouco pelos interesses dele, mas também pelos dela, pensando como ela vai se resolver na vida. E eu, com a maternidade afloradíssima, vivo um grande desafio. Amanda definitivamente não é uma heroína. Não é a saúde do filho que está em primeiro lugar. Há uma gama de interesses em jogo", analisa.

Justamente por causa de Leon, Carla entrou na trama achando que poderia defender Amanda. "Ela não é a primeira vilã que eu faço, mas talvez seja a mais descarada. Eu fiquei pensando... Ela é mãe. Será que Amanda não é assim por causa do filho? E o [diretor] Pedro Vasconcelos me disse: 'Carla, é uma vilã. Faça a vilã, senão daqui a pouco você está tomando chá na sala de jantar e jogando conversa fora'. E eu estou investindo sem medo. Amanda é tão dissimulada que nem eu sei se é verdade o que ela está dizendo", observa.

A inspiração de Carla Marins para fazer sua personagem vem do texto do autor, mas também do Coringa, inimigo do Homem-Morcego em "Batman: O Cavaleiro das Trevas". "Me inspiro no Coringa feito por Heath Ledger.Ele é um psicopata e quer mais é ver o circo pegar fogo. Amanda não é a antagonista da Naomi ou da Júlia [Adriana Esteves]. Ela é autocentrada. A linha de interpretação que esse ator deu ao Coringa é que me fascina", argumenta.

Carla está de volta à Globo depois de passar três anos fora e foi recebida de braços abertos pelos colegas que lá deixou. Seu último trabalho na emissora antes de ir para o SBT foi em 2008, interpretando a Adalgisa de "Faça sua História": "Nessa época, o Leon já estava na minha barriga. E trabalhar grávida é uma delícia porque todo mundo paparica. Voltar agora também está sendo prazeroso porque estou reencontrando grandes amigos, como o Ary Fontoura, que trabalhou comigo em 'Hipertensão', minha primeira novela na Globo, que fiz aos 17 anos".

Aliás, foi o trabalho que ajudou Carla a superar a perda do padrasto, em 1994, assassinado durante um assalto na casa em que ele morava com a mãe da atriz, em Niterói, na região metropolitana do Rio. "Foi o momento mais difícil da minha vida. Ele tinha acabado de passar um mês na minha casa, no Rio. Acho que foi uma despedida. Foi como perder meu pai de novo. Meu pai biológico morreu quando eu tinha 8 meses. Ele era meu pai escolhido, que estava comigo desde que eu tinha 9 anos de idade. E eu tive que resolver essas duas mortes na minha cabeça. Fiz um longo período de terapia. Vivi uma época de reclusão, mas isso não transparecia para as pessoas. Estava no elenco de 'Tropicaliente' com uma personagem muito extrovertida e isso me ajudou a superar essa perda", conta.

Hoje, 17 anos mais tarde, Carla enxerga o lado positivo da vida. "Estou em um momento maravilhoso. Sou feliz com meu filho, tenho um amor, um trabalho bacana. O tempo é o melhor remédio e a gente supera tudo". No meio da sessão de fotos, um carro preto para do outro lado da rua e buzina. Dentro do automóvel está Hugo, que abre um largo sorriso ao ver sua amada sendo fotografada. "A gente está junto há quatro anos e meio e todos perguntam: 'Você ainda está casada?'. É engraçado isso. É a primeira vez que estou casada, com um filho, em uma situação estruturada como casamento. Eu sinto que a gente vive o hoje com frescor", derrete-se Carla, que em nada lembra a Amanda de "Morde & Assopra".

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