"Sou o terror do meu agente", brinca Lena Headey sobre sua simplicidade

Ana Maria Bahiana

Do UOL, em Los Angeles

Para quem vive na TV uma rainha poderosa, terrível e sedutora, Lena Headey quase decepciona. Numa tarde morna de primavera, ela chega para a entrevista num hotel de luxo em Beverly Hills, dirigindo o próprio carro – um SUV Lincoln -, sem maquiagem, com um chapéu de palha, sandálias, braços e costas cobertos de tatuagens e trajando um vestido estampado, longo, perfeito como… saída de praia. "Que é onde eu queria estar", Lena diz, rindo, enquanto tira o chapéu, ajeita os cabelos curtos e passa um brilho rosado nos lábios. "Na praia! Não, brincadeira, sou uma felizarda de trabalhar nesta série e tenho o maior prazer de falar sobre nosso trabalho."

Um fotógrafo comenta que Lena é, provavelmente, a estrela mais simples e pé no chão que ele já captou em sua carreira. Ela ri: "Sou o terror do meu agente. Ele insiste tanto nessa coisa de glamour, de imagem… E eu, se pudesse, ia aos lugares de pijama." O fotógrafo se espanta: mas vaidade não é essencial para ser atriz? Lena ri mais ainda: "Ah, não sei. Não é. Não pode ser. Vaidade impede a pessoa de ser verdadeira. E para fazer um bom trabalho o ator tem que ser profundamente verdadeiro com seu personagem."

A falta de vaidade de Lena Headey é ampliada, neste momento, por um fator importante: ela está grávida de seis meses, fato que descobriu na reta final das filmagens da quinta temporada de "Game of Thrones", série que estreia mundialmente dia 12 de abril. "Eu enjoei muito. Meu humor oscilava loucamente. Fiquei superemotiva. Ou seja, perfeita para ser Cersei!", ela desata a rir. "Não, sério. Eu incorporei tudo isso ao trabalho. Era muito fácil ser supercruel me sentindo desse jeito. E esta temporada é muito sobre os altos e baixos de Cersei, que é obcecada em controlar suas emoções, controlar tudo… e, agora, nem sempre consegue."

Lena tem um filho de cinco anos do primeiro casamento, com o músico Peter Paul Loughran, desfeito há dois anos. Um processo doloroso que ela diz que "repercute até hoje – é um luto, como se alguém tivesse morrido." Agora, ela espera uma menina e não diz quem é o pai, apenas que o garoto Wylie está se comportando "como um verdadeiro cavalheiro na espera da irmãzinha. Diz que é 'dele'. Vamos ver até quando isso vai durar…" Os rumores na mídia são de que Pedro Pascal, o Oberyl Martell da quarta temporada de "Game of Thrones", seja seu atual namorado. A especulação para aí.

A temporada de Cersei

Na quinta temporada de "Game of Thrones", a Cersei de Lena Headey tem lugar de destaque. "Ela está sozinha e, apesar de tudo, num lugar que sempre desejou, a liderança", diz Lena. "O pai se foi, Tyrion se foi, ela está no controle, ou pelo menos acredita nisso."

Cersei é tão marcante nesta temporada que mereceu um flash back logo na abertura do primeiro episódio, coisa que "Game of Thrones" nunca havia feito. "O flashback é importante para que as pessoas entendam melhor a paranoia de Cersei, para que vejam que ela tem demônios interiores desde garota, e que eles se tornaram ainda piores com a enorme culpa que ela sente com o relacionamento com o irmão, o fato dos filhos serem dele… Misture tudo isso com o fato de ela ser uma mulher forte num mundo de homens, de ser superprotetora de seus filhos, de ser ambiciosa… É uma pessoa muito complicada e é por isso que eu adoro interpretá-la."

Pela primeira vez Lena teve uma reunião individual com David Benioff e Dan Weiss, roteiristas e produtores executivos da série, para debater o arco de história de Cersei nesta temporada. "Pudemos sentar e conversar sobre a história de Cersei, quem ela é, como ela seria quando criança, por que ela se comporta do modo como é… Conversamos sobre a jornada dela desde a primeira temporada até agora. É o momento dela, embora não seja bem como ela imagina."

A alegria, espontaneidade e simplicidade de Lena são um contraste marcante com a dureza e crueldade de Cersei, comprovando a ótima atriz que ela é. Lena diz que conhece Cersei tão completamente que não se incomoda mais com as maldades dela. Pelo contrário. "Eu vejo as intenções e as motivações dela, mas com certeza a maioria das pessoas vê apenas uma doida fdp. Mas ela é uma mulher que vive num mundo extremamente cruel, que não perdoa nada, e onde ela tem que abrir caminho e proteger a si mesma e a seus filhos. Eu admiro isso nela. E me identifico com partes dela – a força dela, o fato de que ela não pede desculpas por ser mulher, e faz questão de que sua voz seja ouvida. Eu sou assim também."

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