LONDRES, 27 NOV (ANSA) - A relação de Lady Di com os fotógrafos que a perseguiam constantemente "ficou muito deteriorada" depois de seu divórcio com o príncipe Charles da Inglaterra, que significou a princesa perder seus guarda-costas reais, segundo foi dito hoje na Suprema Corte de Londres.
Kenneth Lennox, ex-editor de fotos do jornal sensacionalista The Sun, disse que Diana "matinha relações amistosas" com os fotógrafos, respeitando que eles "tinham um trabalho a ser feito".
No entanto, esclareceu que depois que a princesa se divorciou de Charles, perdeu seu direito à proteção real, exceto quando participava de eventos oficiais ou estava acompanhada de seus filhos, os príncipes Harry e Williams.
Segundo Lennox, quando Lady Di não tinha proteção, "fotógrafos e jovens inexperientes" conseguiam se aproximar dela cada vez mais "utilizando métodos muito agressivos" para obter fotos suas.
O ex-editor de fotografia do The Sun também admitiu que Diana "superestimou" o nível de fascinação que gerava nas pessoas, especialmente nos últimos meses antes de sua morte, quando passou férias no Mediterrâneo com o milionário egípcio Dodi Al Fayed, seu namorado na época.
Lennox prestou depoimento hoje no tribunal londrino e contou que no dia da morte da princesa, um fotógrafo francês lhe ofereceu imagens do acidente em Paris.
"Este tema se transformou em um tabu na imprensa nos anos seguintes ao acidente", declarou o ex-editor diante do júri.
Segundo Lennox, "é preciso fazer uma distinção entre os fotógrafos experientes e muito bem treinados e os paparazzi, que se especializavam em fazer fotos rápidas das celebridades".
O ex-editor disse também que, antes de seu alto cargo no jornal, tinha fotografado muitas vezes Diana.
"Minha relação com ela foi de fotógrafo para princesa, e tinha essa distância entre nós, apesar de termos conversados em diversas ocasiões", recordou.
"Não sou um amigo dela, nunca disse que era, mas ela sabia que eu tinha um trabalho para fazer e fez o melhor que pode para facilitar meu trabalho", indicou Lennox.
De acordo com o ex-editor de fotografia do Sun, Diana "era um ótimo tema para fotos". Também esclareceu que quando a princesa se divorciou de Charles e perdeu sua proteção real, "muitos fotógrafos se tornaram mais agressivos na forma como tiravam fotos".
"Eles eram jovens e sem experiência, e esperavam que com uma foto ficariam famosos. Os fotógrafos mais experientes não estavam atrás desta imagem, mas de uma foto com maior qualidade", continuou.
Durante o verão de 1997, as imagens de Diana com seu noivo Al Fayed no Mediterrâneo apareceram em todos os jornais britânicos. Durante um cruzeiro próximo à França, um fotógrafo obteve uma imagem de Diana e Dodi se beijando.
Lennoz explicou que desde a morte da princesa, "muito raramente" se fala sobre a noite do acidente em Paris.
"O tema se transformou em um tabu, ninguém quer falar a respeito, porque tudo terminou de modo tão trágico e surgiram todo tipo de acusações", disse.
Para o ex-editor, "o clima do momento era muito contra a imprensa e os fotógrafos".
A Suprema Corte de Londres examina desde 2 de outubro passado a morte de Diana e Dodi, ocorrida na madrugada do dia 31 de agosto de 1997 em Paris.
O processo, que pode se estender por mais seis meses, custará ao governo britânico pelo menos US$20 milhões em custos judiciais.